quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Linguagem das 18 horas no horário das 21 horas!



Walcyr tenta, mas tem um encosto de novela das seis atrás dele
Uma cena do capítulo de ontem (08/10) de “Amor à Vida” me chamou a atenção a respeito do jeito que Walcyr Carrasco escreve sua novela das nove. Leila (Fernanda Machado) estava descontando sua amargura em seu noivo Thales (Ricardo Tozzi), que se preparava para escrever seu novo romance. “Que bom que esse não terá nada a ver com a Nicole” disse a vilã nada discreta sobre o que sente. Fabian… quer dizer… Thales fez uma cara de não-se-preocupe-amor-eu-não-vou-escrever-um-livro-sobre-meu-amor-ruivo. Porém, a cena seguinte trazia Thales sozinho, com seu laptop novo no colo e escrevendo. Então ele fala: “Claro que eu vou escrever sobre você, meu amor”. Repito, ele estava SOZINHO e fez aquela cara de conquistador do Fabian de “Cheias de Charme”, só faltou olhar para a câmera e dar uma piscadinha.
E o que essa cena revela? Bem, explicarei contando uma história. Uma vez vi Thelma Guedes, uma das autoras de “Cordel Encantado” e “Joia Rara” contando sobre o que o horário das 18h pede do autor baseado no público. Segundo ela, neste horário o autor precisa ser o mais claro possível porque o público-alvo está desatento, seja cozinhando quanto fazendo qualquer outra coisa e apenas escutando a novela. Já no horário das 21h, o autor pode ser mais sutil porque tem, em teoria, toda a atenção do público (que desta vez está sentado e olhando fixamente a TV).
A cena do Thales contando que o livro era sobre Nicole (Marina Ruy Barbosa) foi digna de novela das 18h. Walcyr poderia ter feito aquela cena sem falas, mostrando Thales escrevendo e olhando para o quadro da defunta, por exemplo. Mas não, ele está tão acostumado ao modo de escrever das 18h (horário que ele imperou por quase uma década) que não consegue desapegar desse didatismo.
Enquanto o autor não aparar essas arestas, “Amor à Vida” vai continuar como uma novela arrastada, forçada e desinteressante.


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